Como o feminismo destrói a sua imagem como mulher

“A menor minoria da Terra é o indivíduo. Aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias.” 

A frase de Ayn Rand, filósofa liberal e defensora do individualismo, serve como ponto de partida para refletirmos sobre uma questão cada vez mais polarizada: o impacto do feminismo na construção da imagem feminina.

Nos últimos anos, o feminismo ganhou status de símbolo cultural. Autodeclarar-se feminista tornou-se sinônimo de consciência social, empoderamento e, em muitos casos, até uma obrigação moral – tanto para mulheres quanto para homens.

No entanto, é preciso ir além da superfície e questionar: o feminismo, em suas origens e desdobramentos, promove realmente a liberdade individual da mulher?

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As raízes ideológicas do feminismo

O discurso feminista clássico não se sustenta em pilares do liberalismo. Pelo contrário, muitas de suas autoras fundadoras rejeitam princípios como a autodeterminação, a liberdade individual e a responsabilidade pessoal.

Um dos principais nomes da segunda onda feminista, Simone de Beauvoir, em sua obra “O Segundo Sexo”, defende que a família é uma construção opressora e um instrumento de dominação do patriarcado burguês. 

Essa crítica está diretamente ligada às ideias marxistas, que tratam as estruturas sociais tradicionais como ferramentas de opressão de classe.

O feminismo, nesse contexto, não se propõe a ampliar as possibilidades da mulher enquanto indivíduo, mas sim a redefinir essas possibilidades segundo uma lógica de luta coletiva contra estruturas historicamente definidas como inimigas.

A negação da feminilidade

Outro aspecto frequentemente ignorado nas discussões contemporâneas é a rejeição explícita da feminilidade por parte de algumas autoras influentes do movimento.

Audre Lorde e Adrienne Rich, por exemplo, questionavam a própria existência da heterossexualidade como algo natural. Para elas, tratava-se de uma construção imposta pela sociedade patriarcal.

Isso significa que, dentro de determinadas correntes feministas, a mulher que valoriza a feminilidade tradicional ou que faz escolhas ligadas ao cuidado da família e à vida doméstica, pode não encontrar acolhimento.

Paradoxalmente, o movimento que se diz libertador, acaba impondo uma nova série de normas sobre o que é ou não aceitável ser como mulher.

A virada da terceira onda e a distorção da liberdade

Com a chegada da terceira onda, nos anos 1990, o movimento feminista passou a adotar novas bandeiras, como a liberdade sexual extrema. Termos historicamente depreciativos, como “vadia” e “puta”, foram ressignificados como emblemas de resistência e empoderamento.

Essa transformação gerou controvérsias até mesmo dentro do próprio movimento.

Enquanto feministas marxistas viam a hiperssexualização da mulher como produto do sistema capitalista patriarcal, a nova geração passou a encará-la como forma legítima de expressão e conquista de poder. O corpo feminino, antes visto como alvo de exploração, tornou-se símbolo de ativismo.

Mas a pergunta permanece: essa forma de liberdade é realmente libertadora ou apenas um novo modelo de imposição, mascarado de empoderamento?

A contradição com os valores liberais

A evolução do feminismo revela uma contradição central: em vez de defender a liberdade da mulher como indivíduo soberano, o movimento, em suas várias fases, estabeleceu uma série de padrões e diretrizes para definir o que uma mulher “deveria ser” para se enquadrar como feminista legítima.

Esse tipo de enquadramento vai diretamente contra a filosofia liberal, que valoriza a liberdade individual acima de tudo, a liberdade de ser, de escolher, de discordar, sem a necessidade de adesão a um coletivo ideológico.

Conclusão

Ao longo de sua trajetória, o feminismo transformou-se em um sistema de crenças que, muitas vezes, restringe mais do que liberta. 

A verdadeira emancipação da mulher não está em seguir um script imposto, seja ele tradicional ou progressista, mas em ter a autonomia para escolher o próprio caminho, assumindo, com maturidade, as consequências das escolhas feitas.

A mulher não precisa de um rótulo ideológico para se afirmar. Precisa de liberdade e responsabilidade — os dois pilares que sustentam a verdadeira autonomia.

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Mateus Vitoria Oliveira

CEO Private Construtora, Private Log e Private Oil & Gas

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