Porque os liberais não são inimigos dos programas de redistribuição de renda

mulher segurando notas de dinheiro para representar redistribuição de renda

Uma das maiores falácias propagadas pela esquerda é a de que os liberais são contra os programas de redistribuição de renda — e que, se pudessem, acabariam com eles.

Esse olhar enviesado, que nos reduz à defesa de privatizações e cortes de gastos, ignora a realidade: não há nada mais liberal, em essência, do que iniciativas que fortalecem a autonomia do indivíduo.

Um exemplo emblemático é o economista e vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 1976, Milton Friedman, que em sua obra Capitalismo e Liberdade defende abertamente mecanismos de transferência direta de renda, como o imposto de renda negativo.

Para Friedman, conceder ao indivíduo a liberdade de escolha sobre como gastar o dinheiro recebido — em vez de receber serviços ou bens estatais — não apenas respeita sua dignidade, mas reduz o espaço para o populismo e a corrupção institucionalizada.

Um exemplo brasileiro que ilustra esse princípio é o programa Bolsa Família, que já beneficiou cerca de 21 milhões de famílias em 2023, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Ao invés de o Estado fornecer alimentos ou bens diretamente, ele transfere os recursos para que o próprio cidadão escolha onde e como gastar — o que gera, inclusive, impactos positivos na economia local.

Estudos do IPEA indicam que cada real investido no Bolsa Família pode gerar até R$ 1,78 de retorno para o PIB local.

No entanto, como toda política pública, os programas de redistribuição de renda têm falhas. A principal delas está na sua permanência indefinida, que tende a aprisionar o indivíduo a uma situação de vulnerabilidade crônica, sem perspectiva de ascensão social.

Um dos princípios liberais mais sólidos é o da emancipação, e não da dependência perpétua. Não basta dar o peixe — é necessário ensinar a pescar, criar trilhas de capacitação, e garantir que o beneficiário consiga integrar-se ao mercado de trabalho com autonomia

Nesse contexto, o papel do Estado não deve ser o de mantenedor de dependências, mas o de facilitador da liberdade individual. 

Para isso, é preciso redirecionar recursos: cortar privilégios de políticos e membros do alto escalão do Judiciário, eliminar gastos supérfluos e investir fortemente na qualificação profissional e na criação de um ambiente de negócios favorável ao emprego.

Infelizmente, isso esbarra nos interesses da classe política atual. Preservar a dependência do cidadão em relação ao Estado é uma forma de garantir votos e controlar narrativas.

Para muitos políticos, é mais interessante sustentar a ideia de que, sem sua “ajuda”, o cidadão comum não conseguirá sobreviver — reforçando uma dependência que, na prática, limita a liberdade e a dignidade humana.

Essa é a origem da demonização do pensamento liberal por parte de certos movimentos sociais e grupos ideológicos. 

Mas é justamente o liberalismo que oferece uma proposta concreta de mobilidade social verdadeira, sem amarras estatais nem tutela permanente.

Em resumo, os direitos naturais, que os liberais defendem com veemência — como a propriedade, a livre iniciativa e a liberdade individual — colocam o cidadão como protagonista de sua trajetória.

Por isso, o liberalismo é, na essência, um projeto político que se alia aos mais vulneráveis, oferecendo-lhes não uma muleta perpétua, mas as condições reais para caminhar com as próprias pernas.

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Mateus Vitoria Oliveira

CEO Private Construtora, Private Log e Private Oil & Gas
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