A Coreia do Norte é amplamente considerada o país mais fechado do mundo. Essa classificação decorre, principalmente, da intensa censura estatal e do rígido controle sobre os meios de comunicação.
Grande parte das informações disponíveis são divulgadas pelo próprio regime de Kim Jong-un ou por ex-refugiados que conseguiram escapar do país.
Desde o fim da Guerra das Coreias, em 1953, as duas nações que outrora formavam uma só tomaram rumos radicalmente distintos.
Enquanto a Coreia do Sul adotou o modelo capitalista e se consolidou como uma potência tecnológica global, a Coreia do Norte enveredou por um caminho socialista, fortemente influenciado por modelos autoritários e centralizadores.
Como resultado, ocupa as últimas posições nos índices internacionais de liberdade econômica, política e de imprensa.
Conforme o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, a Coreia do Norte é, há anos, o país com menor grau de liberdade econômica do planeta.
Isso se reflete na ausência de autonomia individual: qualquer manifestação contrária ao regime pode levar à prisão, ao exílio forçado ou até à execução.
Em 2021, um jovem norte-coreano foi condenado à morte por introduzir e distribuir a série sul-coreana Round 6 no país, um caso amplamente noticiado por veículos internacionais como a BBC e o The Guardian.
O acesso à cultura estrangeira é severamente punido. A escuta de músicas sul-coreanas, como o K-pop, é considerada crime contra o Estado. A maioria dos cidadãos sequer tem conhecimento desse gênero musical.
O único culto permitido é à figura dos líderes: imagens de Kim Il-sung, Kim Jong-il e Kim Jong-un são obrigatórias em todas as casas e locais públicos, e a idolatria a esses líderes é parte do cotidiano.
A prática religiosa é igualmente criminalizada. O regime baniu celebrações como o Natal e a Páscoa, e qualquer ato de fé é tratado como ameaça ideológica. Desde 2011, é proibido, por decreto, que qualquer cidadão tenha o mesmo nome que o atual líder do país.
Além disso, a hostilidade à cultura ocidental é evidente. Produtos de origem americana são proibidos, e até o uso de calças jeans foi banido, por serem vistos como símbolo do imperialismo dos EUA.
A rejeição ao estilo de vida ocidental é acompanhada de uma propaganda estatal intensa, que alimenta o discurso de autossuficiência e exaltação ao regime.
Durante a pandemia de Covid-19, a Coreia do Norte alegou não ter registrado casos da doença — uma declaração amplamente questionada por especialistas internacionais.
Considerando a proximidade geográfica e os laços com China e Rússia, é provável que o país tenha adquirido vacinas de forma discreta, embora não haja dados confiáveis que confirmem a real situação sanitária da população.
A vida dos norte-coreanos comuns é marcada por pobreza extrema e isolamento. A maioria da população vive em áreas rurais, sem acesso a saneamento básico, energia elétrica constante ou serviços essenciais.
Apenas membros do alto escalão do governo podem residir na capital, Pyongyang, e usufruir de privilégios como lazer, comércio e transporte público eficiente.
Diante de tantas restrições, a liberdade — seja de expressão, de crença, de escolha ou de ir e vir — é uma realidade distante para os cidadãos norte-coreanos.
O país permanece como um retrato extremo dos efeitos de um regime autoritário e fechado ao mundo, onde a individualidade é constantemente sacrificada em nome do culto ao poder absoluto.
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