“Você pode ignorar a realidade, só não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade!” Ayn Rand
Ao observarmos os países que oferecem os melhores índices de qualidade de vida, como Canadá, Dinamarca e Suécia — líderes no ranking desenvolvido pela U.S. News & World Report, em parceria com o BAV Group e a Wharton School da Universidade da Pensilvânia —, um fator se repete: a sólida adoção da economia de mercado.
Esses, não apenas garantem maior bem-estar à sua população, como também consolidam ambientes favoráveis ao crescimento, à inovação e à liberdade individual.
Em contraste, nações como República Centro-Africana, Iêmen e Chade — que figuram entre as piores no combate à fome — são marcadas por regimes econômicos fechados e liberdade econômica praticamente inexistentes.
Esse paralelo nos mostra algo incontestável: qualidade de vida e liberdade econômica andam juntas. E, se o Brasil deseja subir no ranking global de desenvolvimento e competitividade, precisa enfrentar urgentemente a realidade: nosso modelo econômico continua preso a práticas intervencionistas, ineficientes e burocráticas.
Segundo o Index of Economic Freedom 2021, publicado pela Heritage Foundation, o Brasil ocupa a 143ª posição entre 178 países — atrás da maioria das economias latino-americanas.
O ranking avalia critérios como Estado de Direito, tamanho do governo, eficiência regulatória e abertura de mercado.
Apesar disso, o país figura na 52ª colocação entre os melhores para viver. Essa disparidade é um reflexo da baixa competitividade, do excesso de entraves estatais e da fragilidade institucional que desincentivam investimentos, corroem a produtividade e minam o progresso.
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O Estado brasileiro é, comprovadamente, um dos mais caros e ineficientes do mundo. Os gastos públicos, segundo o índice, alcançam apenas 56,5 pontos, reflexo de um sistema que prioriza a manutenção da máquina estatal em vez de promover eficiência na entrega de serviços essenciais.
De acordo com Salim Mattar, ex-secretário de Desestatização, a União gastou R$ 190 bilhões com estatais em apenas alguns anos, dos quais R$ 160 bilhões foram usados apenas para cobrir déficits operacionais dessas empresas.
“Imagina se esse recurso fosse usado em creches, merenda escolar, melhores viaturas, mais leitos hospitalares… O governo deveria cuidar apenas da qualidade de vida do cidadão: segurança, saúde e educação”, afirmou Mattar.
Esses dados escancaram o desequilíbrio de prioridades. Enquanto a sociedade carece de serviços básicos, o Estado insiste em manter estruturas deficitárias, muitas delas movidas por interesses políticos e ideológicos, em detrimento do interesse público.
Outro ponto crítico está na liberdade empresarial. O Brasil obteve apenas 58 pontos nesse indicador, muito abaixo da Austrália, que pontuou 87,4, ocupando a 3ª colocação no índice geral. A diferença entre os dois países? Gestão, desburocratização e racionalidade econômica.
Ambos já tiveram histórico de estatismo, mas a Austrália optou por romper com esse modelo, adotando reformas estruturais que abriram sua economia, valorizaram o empreendedorismo e consolidaram um ambiente mais livre e eficiente.
Além disso, nosso país ainda perde em liberdade de trabalho, liberdade financeira e liberdade de investimento, ficando atrás até de vizinhos latino-americanos, como o Chile, que ocupa a 19ª posição no ranking geral.
Mesmo tendo uma base econômica também sustentada por commodities, o Chile soube alavancar sua estrutura de mercado com maior abertura e menor intervenção estatal.
Milton Friedman já alertava: “Controles sobre o comércio exterior se estendem ao comércio interno. Eles se entrelaçam em cada aspecto da atividade econômica. E, embora defendidos como essenciais ao progresso, esses controles paralisam o desenvolvimento.”
Mesmo com essa obra escrita no século passado, o Brasil ainda parece viver sob essa lógica ultrapassada, em que o Estado tenta controlar a economia com promessas falaciosas de proteção e progresso. O resultado? Atraso, improdutividade e desperdício de recursos.
É inegável que o Brasil precisa adotar reformas estruturantes e corajosas para sair desse ciclo vicioso. Entre as principais medidas estão:
A liberdade econômica não é um privilégio das nações ricas. Ela é a condição necessária para que qualquer nação se torne próspera.
E, enquanto continuarmos presos ao modelo estatista e intervencionista, estaremos condenados a repetir os mesmos erros, ignorando a realidade e arcando com as duras consequências dessa escolha.
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Mateus Vitoria Oliveira
CEO Private Construtora, Private Log e Private Oil & Gas
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